Nesta edição, o afeto aparece como uma experiência que nos transforma. Somos transformados por acontecimentos da vida, como migrações, estruturas sociais, relações familiares e vivências pessoais. Esses encontros podem nos fortalecer ou enfraquecer, nos trazer alegria ou tristeza, nos levar à resistência ou ao apagamento. Produzir arte e fazer pesquisa são modos de lidar com essas afeições e de construir caminhos próprios. Para existir, é preciso deixar-se tocar pelo que vem de fora. É por este trajeto que inauguramos a edição com o artigo A construção do sensível: fenomenologia da série Sonhos Yanomami, de Claudia Andujar, de Laura Clemente de Sousa Reis, que disserta sobre a produção fotográfica de Claudia a partir de uma perspectiva fenomenológica e relacional da imagem. O trabalho desloca a lógica tradicional do registro objetificante e questiona os valores da representação, do visível ao invisível. Laura nos convida a diferentes modos de sentido e nos faz pensar o sonho como forma...