Nesta edição, o afeto aparece como uma experiência que nos transforma. Somos transformados por acontecimentos da vida, como migrações, estruturas sociais, relações familiares e vivências pessoais. Esses encontros podem nos fortalecer ou enfraquecer, nos trazer alegria ou tristeza, nos levar à resistência ou ao apagamento. Produzir arte e fazer pesquisa são modos de lidar com essas afeições e de construir caminhos próprios. Para existir, é preciso deixar-se tocar pelo que vem de fora. É por este trajeto que inauguramos a edição com o artigo A construção do sensível: fenomenologia da série Sonhos Yanomami, de Claudia Andujar, de Laura Clemente de Sousa Reis, que disserta sobre a produção fotográfica de Claudia a partir de uma perspectiva fenomenológica e relacional da imagem. O trabalho desloca a lógica tradicional do registro objetificante e questiona os valores da representação, do visível ao invisível. Laura nos convida a diferentes modos de sentido e nos faz pensar o sonho como forma...
No presente número, a reinvenção é a força motriz que impulsiona as práticas artísticas e acadêmicas a reconfigurar corpos, espaços, memórias, histórias e relações. Criar algo novo a partir do que já existe, transformando profundamente a si mesmo, uma ideia ou um processo, torna-se um gesto político e estético de re(exi)sistência. Reinventar arte é romper com o estabelecido e abrir caminhos para outras formas de imaginar e habitar o mundo. É preciso reelaborar para construir, pois, assim como escreveu Cecília Meireles (1983), “a vida só é possível reinventada”. É por esta estrada que inauguramos a edição com o texto de Nathany Clemente Pires, Marcela Santos Marcelino, Rian do Nascimento Brito e Paulo de Faria Cardoso, que reformula a produção coletiva e a interatividade através da instalação SangrArte. Ao transformar o espectador em participante ativo, o projeto desloca a lógica tradicional da contemplação e questiona os valores imputados à criação artística, ao mercado e à própri...